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15 de novembro de 2007

Encontro de religiosos fortaleceu a proposta de
construção de um continente livre

Juracy Xangai

          Reforçar a integração social e econômica da América Latina levando em conta sua variedade étnica e religiosa que caracteriza sua diversidade cultural foi o tema central dos debates desenvolvidos pelos mais de seis mil militantes do Movimento Fé e Política reunidos em Nova Iguaçu (RJ), nos dias 10 e 11 deste mês, com a participação de 18 Estados brasileiros.

          O Acre foi representado por 16 pessoas pertencentes às igrejas Católica, Presbiteriana, Quadrangular, Metodista e Pentecostais do Brasil, além de assessores do gabinete do deputado Federal Nilson Mourão, um dos fundadores e principal incentivador do movimento no Acre.

          Rondônia teve entre seus representantes o diretor da Universidade Metodista Wesleyana, Guidalti Guedes da Silva, cujas ponderações de cunho ecumênico pela contribuição prática das igrejas na luta contra a miséria e pela conservação sustentável da Amazônia destacaram-se no plano nacional.

          Entre os acreanos também ganhou destaque a participação da índia Letícia Yawanawá, pela participação na oração ecumênica e pelas colocações em defesa dos direitos dos povos indígenas raramente respeitados, às vezes, até por aqueles que dizem defendê-los. Ela citou como exemplo da brutalidade atos aparentemente simples, como o fato de o “patrão” do antigo seringal onde localizava sua aldeia, em Tarauacá, ter determinado a mudança de seu nome, Natsá Huscharro, para Letícia Luíza no momento de fazer seu registro civil, o que a está levando a recorrer à Justiça para poder reaver seu nome original e assim corrigir um erro que para seu povo, orgulhoso das suas origens, é imperdoável e vergonhoso.

Voz e voto

          No encontro foi prestada uma homenagem ao bispo de São Félix do Araguaia, dom Pedro Casaldaliga, que no fim da década de 60 e nos anos 70, os mais duros da Ditadura Militar, notabilizou-se pela defesa dos direitos dos trabalhadores, especialmente os do campo e da floresta. Idêntica menção recebeu o bispo de Nova Iguaçu, dom Adriano Hipólito, hoje um dos principais defensores da igreja voltada à defesa dos direitos dos trabalhadores e pela conservação ambiental, especialmente a das fontes e cursos d’água.

          O ex-padre Manoel Pacífico, secretário-geral do movimento no Acre, lembrou que, “nesse novo momento da política mundial globalizada, sentimos mais do que nunca a pressão do imperialismo norte-americano desrespeitando a autonomia dos povos. É também agora que a religiosidade cresce como uma nova alternativa sócio-política para a qual convergem os movimentos sociais, ambientais e culturais de resistência às imposições externa, ao mesmo tempo em que reforça a determinação de construir uma América Latina unida, forte e desenvolvida, respeitando as diferenças etno-culturais e religiosas de sua gente”. (extraído do jornal Página 20)