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20 de Abril 2008

Nilson Mourão representa Câmara em eleição no Paraguai


          Neste domingo 20 de abril de 2008, 2,8 milhões dos 6 milhões de paraguaios vão às urnas escolher o novo presidente do país. Nos últimos dias da campanha eleitoral o clima político no país intensificou-se com a troca de acusações entre o partido governista e a oposição. O ex-bispo e candidato da oposição, Fernando Lugo – favorito nas pesquisas de intenção de voto –, advertiu seus partidários sobre a possibilidade de fraude na votação deste domingo e acusou o governista Partido Colorado, há mais de seis décadas no poder.

          Nenhum partido no mundo permaneceu tanto tempo no poder. O Partido Colorado está no comando do Paraguai desde 1946. Grande parte desse tempo sob a ditadura de Alfredo Stroessner, que governou o Paraguai com mão de ferro entre 1954 e 1989.

          Preocupados com a possibilidade de irregularidades no processo eleitoral paraguaio, vários países e organizações democráticas de todo o mundo estão enviando representantes para atuarem como observadores eleitorais durante todo o dia da eleição. O deputado Nilson Mourão foi designado pelo Presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, e inscrito pela Justiça Eleitoral do Paraguai para atuar como observador eleitoral. Para isso, viajou para a capital, Assunção, na última quinta-feira para receber as informações do Poder Eleitoral daquele país e realizar durante todo o dia de hoje seu trabalho de fiscalização do processo eleitoral. "Meu trabalho consiste em visitar as sessões eleitorais, acompanhar a votação, o transporte das urnas, a apuração, conversar com eleitores, e ao final, relatar o que vi e ouvi durante todo o dia. Espero que as eleições transcorram num clima de normalidade, que a vontade da maioria dos paraguaios apareça nas urnas e que o resultado seja respeitado pelos que perderem as eleições, para o fortalecimento da democracia na América Latina", disse Nilson Mourão.

          Pela primeira vez em 65 anos, o velho Partido Colorado pode ser afastado do poder. As pesquisas indicam que esta longa hegemonia pode ser quebrada pela coalizão de centro-esquerda que tem como candidato o ex-bispo Fernando Lugo, um adepto da Teologia da Libertação. O religioso apresenta uma vantagem de 10 pontos percentuais sobre o segundo colocado na disputa, o ex-general Lino Oviedo, um dissidente colorado, seguido da ex-ministra da Educação Blanca Ovelar, a candidata do partido governista.

          Lugo estudou na prestigiosa Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Foi nomeado bispo da diocese de San Pedro, uma das regiões mais pobres do Paraguai, pelo papa João Paulo II em 1994. Em 2004, sem divulgar as razões, a igreja o aposentou do cargo - hoje seu título é o de "bispo emérito". Muitos no Paraguai acreditam que isso ocorreu pela militância política do bispo.

         Alheio às críticas ou às possíveis sanções da igreja, Lugo participou em 2006 do lançamento do Movimiento Paraguai Possível (MPP). Desde março daquele ano, quando liderou uma passeata de 40 mil pessoas contra o projeto de reeleição do atual presidente Nicanor Duarte, Lugo se tornou uma estrela da oposição.

          Os programas de todos os candidatos propõem algum tipo de revisão ao Tratado de Itaipu, firmado em abril de 1973 entre as ditaduras de Emílio Garrastazu Médici, do Brasil, e de Alfredo Stroessner. Através do documento, ficou acertada a construção da maior usina hidrelétrica do mundo, até então, na fronteira dos dois países. Com validade de 50 anos, o acordo baliza a repartição da energia por ela gerada. Metade fica com o Brasil e metade com o Paraguai. Como o país utiliza apenas 12% do total produzido, pelos termos do documento, é obrigado a vender a eletricidade sobrante ao Brasil, a preços que oscilam de U$S 22 a U$ 44 o KwH. A média de preços da energia hidrelétrica no mercado brasileiro passa dos U$S 80 o KwH. Essa diferença de preço será reivindicada pelo futuro presidente do Paraguai que sairá das urnas neste domingo.